QUADERNA

NELSON ALMEIDA
O título para esta composição foi emprestado da obra Romance da Pedra do Reino, de Ariano Suassuna (1971), escrito no estilo armorial, que tem Pedro Quaderna como protagonista. O quarteto inicialmente recebeu o nome de Quadro Quaderna. Depois das alterações e atualizações foi renomeado para Quaderna. A obra consiste num movimento único com duas seções, A e B. A seção A divide-se em 3 subseções — a, b e c — enquanto a B divide-se em d, e, f e coda. Quaderna mixa raízes armoriais com material musical mais genérico, fundamentado na escrita idiomática de cada um dos instrumentos.

CARRO DE BOI TRANSFIGURADO

VICTOR LUIZ
É música ressecada, de protesto, sem pretensão de doces afetos. É ruído de madeira, é sol, o grito do homem sujo de barro, de lama. É facão de cortar cana-de-açúcar, é criança que chora com fome, é o chão que nunca vê água. Melodias sufocadas, inquietas, é tudo abafado, tudo sem vento. É o verde transfigurado em gigantes de concreto que escondem as águas e chicoteiam nossos olhos com suas caras de vidro. É irracional, real, algébrica e constante.

RASCUNHOS PARA CORDAS

SYRLANE ALBUQUERQUE
A obra possui quatro “minimovimentos”, considerados embriões, pois podem sugerir desenvolvimento maior e mais longo dos mesmos, caso a compositora o quisesse fazer. Os movimentos não têm títulos, algo também deliberado pela compositora – cada movimento tem o seu caráter (apenas com instruções de tempo no começo) e cabe aos músicos e público decidir de que forma interpretá-los. O movimento I é uma mistura de baião e maracatu, é um movimento alegre, de abertura; o movimento II evoca uma melancolia, em que a mesma melodia é rearmonizada várias vezes. O movimento III, o mais curto de todos, é uma valsa irregular, ou seja, com muitas mudanças de tempo e tem nela um grande senso de humor. O movimento IV, um frevo, encerra a peça com festa.

MODUS III - QUARTETO DE CORDAS

PAULO ARRUDA
Nesta breve composição, da série intitulada Modus, é sugerido um desafio de cantadores repentistas. Repente, como nos relata Luís da Câmara Cascudo, “é a resposta inesperada e feliz, aturdindo a improvisação do adversário”. O tema exposto inicialmente (Calmo) servirá de mote, sendo desenvolvido por toda a obra, justamente como ocorre nos duelos de improviso. Aqui a peleja dá-se não em versos, mas entre dois centros tonais, numa relação tônica/dominante, como observado pelo compositor Dierson Torres. Os oponentes ora murmuram infortúnios (Com pesar) ou decididamente partem para o impetuoso combate (Con fuoco), no qual o vencido irá emborcar sua viola.

MARCO ZERO

MAURO MAIBRADA
Marco Zero não tem como referência qualquer marco geográfico, tenta representar inícios, nascedouros, os quais, como a própria vida, começam em um ponto comum — fato representado pelo inicial uníssono absoluto entre os instrumentos do quarteto. Estes, gradativamente, como personalidades em formação, se apartam e se agrupam até que, como em profissões de fé, filosóficas ou políticas, um sentido geral é apresentado, representado na música pelo tema introduzido pelo primeiro violino. Logo, os outros membros passam a “recitar” e a seguir este caminho, segundo suas próprias versões. Progredindo, reduzindo e sempre em conflito com o “marco zero”. Por diversas vezes este conflito é evidenciado ou mitigado, dando aparente coesão e conjunto, mas suas dúvidas são destacadas pelos grupamentos de notas e blocos (acordes?), os quais, embora ritmicamente unificados, mostram suas discórdias através das dissonâncias. A peça continua como uma caça entre os instrumentos até o momento final, quando o último acorde parece perguntar: “E agora, para onde?”

FREVANDO III

NILSON LOPES
Baseada no frevo, a obra tem forma A-B-A. A seção A é tonal, em contraste com a B, atonal. O ritmo da caixa executado no frevo é o fio condutor da seção A, funcionando, assim, como elemento estrutural durante toda a referida seção; na B, o elemento estruturante é o motivo. No início da peça, o andamento é mais parecido com o frevo de bloco; na reexposição da seção A, o andamento se aproxima do frevo de rua.

PONTE DOS ECOS

RICARDO BRAFMAN
Adaptada a partir de uma peça existente minha (mais longa), ela tem um motivo sonoro de ecos, uma influência (inclusive harmônica) do nordeste brasileiro, e sua forma geral é do tipo às vezes chamado de arco. Essa forma me fez pensar em pontes, e assim surgiu o nome Ponte dos Ecos.

DUAS PAISAGENS PARA QUARTETO DE CORDAS (I Roda de Fogo, II Alto do Céu)

PAULO LIMA
A estrutura harmônica deste quarteto caminha lado a lado com a harmonia arquitetônica das localidades em foco. As fachadas, o colorido, o interior das habitações, as vielas contorcidas, as escadarias e ladeiras de acesso ao “céu” se multiplicam naturalmente, ocupando espaços de forma aleatória e intuitiva. Aqui tudo é possível: as sonoridades verticais e as linhas melódicas surgem e progridem espontaneamente, como imagens que vão aparecendo num passeio imaginário pelos tortuosos caminhos destas belas comunidades.

ALVORADA

IVANUBIS
Obra escrita originalmente para quarteto de cordas, foi inspirada no imaginário comportamental, social e paisagístico do sertão nordestino brasileiro. Passeia pelo universo popular e erudito, fazendo uso de estilos e motivos rítmicos da música popular folclórica de raiz pernambucana.

ESTUDOS PEQUENOS

MATEUS ALVES
A peça busca focar a atenção do ouvinte (e dos intérpretes) na microescuta. Baseada em harmonias e gestos simples, esses estudos trabalham nuances internas do som, assim como sua própria inconstância e fragilidade. Explorando algumas técnicas estendidas e articulações, sob uma ótica particular, a obra sugere um mix de novos sons e cores.

QUADERNA

NELSON ALMEIDA
O título para esta composição foi emprestado da obra Romance da Pedra do Reino, de Ariano Suassuna (1971), escrito no estilo armorial, que tem Pedro Quaderna como protagonista. O quarteto inicialmente recebeu o nome de Quadro Quaderna. Depois das alterações e atualizações foi renomeado para Quaderna. A obra consiste num movimento único com duas seções, A e B. A seção A divide-se em 3 subseções — a, b e c — enquanto a B divide-se em d, e, f e coda. Quaderna mixa raízes armoriais com material musical mais genérico, fundamentado na escrita idiomática de cada um dos instrumentos.

CARRO DE BOI TRANSFIGURADO

VICTOR LUIZ
É música ressecada, de protesto, sem pretensão de doces afetos. É ruído de madeira, é sol, o grito do homem sujo de barro, de lama. É facão de cortar cana-de-açúcar, é criança que chora com fome, é o chão que nunca vê água. Melodias sufocadas, inquietas, é tudo abafado, tudo sem vento. É o verde transfigurado em gigantes de concreto que escondem as águas e chicoteiam nossos olhos com suas caras de vidro. É irracional, real, algébrica e constante.

RASCUNHOS PARA CORDAS

SYRLANE ALBUQUERQUE
A obra possui quatro “minimovimentos”, considerados embriões, pois podem sugerir desenvolvimento maior e mais longo dos mesmos, caso a compositora o quisesse fazer. Os movimentos não têm títulos, algo também deliberado pela compositora – cada movimento tem o seu caráter (apenas com instruções de tempo no começo) e cabe aos músicos e público decidir de que forma interpretá-los. O movimento I é uma mistura de baião e maracatu, é um movimento alegre, de abertura; o movimento II evoca uma melancolia, em que a mesma melodia é rearmonizada várias vezes. O movimento III, o mais curto de todos, é uma valsa irregular, ou seja, com muitas mudanças de tempo e tem nela um grande senso de humor. O movimento IV, um frevo, encerra a peça com festa.

MODUS III - QUARTETO DE CORDAS

PAULO ARRUDA
Nesta breve composição, da série intitulada Modus, é sugerido um desafio de cantadores repentistas. Repente, como nos relata Luís da Câmara Cascudo, “é a resposta inesperada e feliz, aturdindo a improvisação do adversário”. O tema exposto inicialmente (Calmo) servirá de mote, sendo desenvolvido por toda a obra, justamente como ocorre nos duelos de improviso. Aqui a peleja dá-se não em versos, mas entre dois centros tonais, numa relação tônica/dominante, como observado pelo compositor Dierson Torres. Os oponentes ora murmuram infortúnios (Com pesar) ou decididamente partem para o impetuoso combate (Con fuoco), no qual o vencido irá emborcar sua viola.

MARCO ZERO

MAURO MAIBRADA
Marco Zero não tem como referência qualquer marco geográfico, tenta representar inícios, nascedouros, os quais, como a própria vida, começam em um ponto comum — fato representado pelo inicial uníssono absoluto entre os instrumentos do quarteto. Estes, gradativamente, como personalidades em formação, se apartam e se agrupam até que, como em profissões de fé, filosóficas ou políticas, um sentido geral é apresentado, representado na música pelo tema introduzido pelo primeiro violino. Logo, os outros membros passam a “recitar” e a seguir este caminho, segundo suas próprias versões. Progredindo, reduzindo e sempre em conflito com o “marco zero”. Por diversas vezes este conflito é evidenciado ou mitigado, dando aparente coesão e conjunto, mas suas dúvidas são destacadas pelos grupamentos de notas e blocos (acordes?), os quais, embora ritmicamente unificados, mostram suas discórdias através das dissonâncias. A peça continua como uma caça entre os instrumentos até o momento final, quando o último acorde parece perguntar: “E agora, para onde?”

FREVANDO III

NILSON LOPES
Baseada no frevo, a obra tem forma A-B-A. A seção A é tonal, em contraste com a B, atonal. O ritmo da caixa executado no frevo é o fio condutor da seção A, funcionando, assim, como elemento estrutural durante toda a referida seção; na B, o elemento estruturante é o motivo. No início da peça, o andamento é mais parecido com o frevo de bloco; na reexposição da seção A, o andamento se aproxima do frevo de rua.

PONTE DOS ECOS

RICARDO BRAFMAN
Adaptada a partir de uma peça existente minha (mais longa), ela tem um motivo sonoro de ecos, uma influência (inclusive harmônica) do nordeste brasileiro, e sua forma geral é do tipo às vezes chamado de arco. Essa forma me fez pensar em pontes, e assim surgiu o nome Ponte dos Ecos.

DUAS PAISAGENS PARA QUARTETO DE CORDAS (I Roda de Fogo, II Alto do Céu)

PAULO LIMA
A estrutura harmônica deste quarteto caminha lado a lado com a harmonia arquitetônica das localidades em foco. As fachadas, o colorido, o interior das habitações, as vielas contorcidas, as escadarias e ladeiras de acesso ao “céu” se multiplicam naturalmente, ocupando espaços de forma aleatória e intuitiva. Aqui tudo é possível: as sonoridades verticais e as linhas melódicas surgem e progridem espontaneamente, como imagens que vão aparecendo num passeio imaginário pelos tortuosos caminhos destas belas comunidades.

ALVORADA

IVANUBIS
Obra escrita originalmente para quarteto de cordas, foi inspirada no imaginário comportamental, social e paisagístico do sertão nordestino brasileiro. Passeia pelo universo popular e erudito, fazendo uso de estilos e motivos rítmicos da música popular folclórica de raiz pernambucana.

ESTUDOS PEQUENOS

MATEUS ALVES
A peça busca focar a atenção do ouvinte (e dos intérpretes) na microescuta. Baseada em harmonias e gestos simples, esses estudos trabalham nuances internas do som, assim como sua própria inconstância e fragilidade. Explorando algumas técnicas estendidas e articulações, sob uma ótica particular, a obra sugere um mix de novos sons e cores.